03/08/2010 – 09:58
Livro Última Entrevista de José Saramago já está à venda
Editora Usina de Letras lança obra do autor português José Rodrigues dos Santos.
Moderna, inovadora e visando divulgar cada vez mais a língua portuguesa, a editora carioca Usina de Letras adquiriu os direitos de publicação no Brasil da última entrevista de José Saramago, que dará nome ao livro do autor português José Rodrigues dos Santos. A entrevista, que aconteceu oito meses antes do falecimento do Nobel de Literatura, trata-se de um documento único, sobre a obra de Saramago e de seu imenso valor literário e humano. “A Última Entrevista de José Saramago”, com o selo Vermelho Marinho já está à venda nas principais livrarias do país.
“A Última Entrevista de José Saramago” surgiu de uma série de entrevistas feitas pelo jornalista Rodrigues dos Santos para a televisão portuguesa RTP, que deu origem a obra “Conversas com Escritores”, publicada em abril deste ano. Além de Saramago, o autor entrevistou outros grandes escritores como: Ian McEwan, Günter Grass, Dan Brown, Isabel Allende, Paulo Coelho e Paul Auster. Em virtude do falecimento do Nobel no dia 18 de Junho, José Rodrigues dos Santos decidiu transformar toda a reportagem com José Saramago em um livro como forma de homenagear a maior referência e o maior expoente da literatura portuguesa de todos os tempos.
“O livro conta a forma como o Saramago via a literatura e a vida. Essa foi a única entrevista em que ele abordou toda a sua obra do primeiro ao último romance, o que faz do livro um material inédito. Essa publicação é importante porque nos traz os últimos pensamentos do primeiro e único Nobel da nossa língua”, afirmou Rodrigues dos Santos.
José Saramago (1922-2010) estará sempre vivo através da sua obra, que colocou a língua portuguesa no mapa da literatura universal, ao ser o primeiro autor a ser contemplado com o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Nesta última entrevista, Saramago descreve a sua carreira, livros, política, vida, morte, além da linguagem e a sua importância. Na obra, ele afirma que o escritor tem que ter a própria voz, mas que uma história bem construída é fundamental (Seguem abaixo frases do Saramago que estarão no livro “A Última Entrevista de José Saramago”). Simples e revelador, o ensaio de José Rodrigues dos Santos ajuda a compreender toda a trajetória vitoriosa do embaixador da língua portuguesa no mundo.
José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 na colônia portuguesa de Moçambique. Iniciou a carreira de jornalismo em 1981 na Rádio Macau, passou pela BBC e pela CNN, sendo colaborador permanente da última, além de ser apresentador da RTP. Doutorado em Ciências da Comunicação, ele também faz parte do corpo docente da Universidade Nova de Lisboa. Trata-se de um dos mais premiados jornalistas portugueses, contemplado com dois prêmios do Clube Português de Imprensa e três da CNN, entre outros. “A Última Entrevista de José Saramago” é o seu primeiro ensaio publicado no Brasil.
.[ A Útima Entrevista de José Saramago, de José Rodrigues dos Santos | Editora: Usina de Letras | Selo: Vermelho Marinho | 64 Páginas | Formato: 14 x 17 cm | ISBN: 978-85-62851-61-2 | Preço: R$ 18,00].
Frases de José Saramago que estão no livro “A Última Entrevista de José Saramago”: . “Uma história bem construída é indispensável; aquilo tem de estar estruturado, tem de manter-se de pé… Mas nos últimos tempos tornei-me consciente disso: o fundamental é a linguagem” | . “Creio que os leitores tiveram uma parte importante no fato de eu continuar a escrever. Também é certo que, se continuei a escrever, foi porque, pelo menos penso eu, tinha alguma coisa para dizer”;
. “No fundo, para lhe dar uma imagem, é como se o romance fosse o mar e recebesse água dos seus afluentes, e que esses afluentes fossem, como eu digo, a poesia, o drama, o ensaio, a filosofia, tudo isso” | . “Eu sabia como acabaria o Caim, sei como acabará o livro que neste momento estou a escrever, e o que costumo dizer é que um romance meu, maior ou pequeno, no fundo cresce como uma árvore” | . “Vi quatro pontos e, para mim, esses quatro pontos eram muito simplesmente eu. E vim a saber que não eram porque eu estava naquela cama e, portanto, eu era aquele” | .”Falamos como quem faz música; toda a fala e toda a música se constrói com sons e pausas. No meu caso, nos meus livros, nem sequer me atreveria a chamar à vírgula e ao ponto sinais de pontuação. Chamo-lhes sinais de pausa: uma pausa breve e uma pausa mais longa – como se fosse música, digamos assim” |. “O romance – de acordo com as transformações por que passou recentemente e continua a passar – deixou de ser um gênero para se transformar num espaço literário” | . “Agora que eu, ainda que ateu, estou empapado em cristianismo, estou como está você, como está qualquer outra pessoa”.
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Fonte: http://www.revistafatorbrasil.com.br/imprimir.php?not=126997